tcnxmnsm in Aarhus University

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Conversation around technoshamanism in the center of Digital Living Research Commons in the Department of Information Studies & Digital Design at the University of Aarhus.

We talked about the traditions of festivals before the festivals of technoshamanism, such as Brazilian tactical media, Digitofagy, Submidialogy, MSST (Satellitless Movement), etc. We presented the Baobáxia and the indigenous / quilombola struggles in the city and the countryside. The aesthetic manifestations of encounters of technoshamanism as well as ideas about free or postcolonial thoughts, ancestorfuturism and new Subjective territories.

Organized by Martin Brynskov and Elyzabeth Joy Holford (directors of the departament and hacklab) and colaborators as Kata Börönte, Winnie Soon and Kristoffer Thyrrestrup and students of the departament. Connection and introduction of Carsten Agger, with the participation of Fabiane M. Borges, Raisa Inocêncio e Ariane Stolfi.

Facebook of DLRC: Digital Living Research Commons

Facebook event: Technoshamanism at the DLRC

PHOTOS:

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VIDEO:

 

 

review – tcnxmnsm in aarhus – denmark/2017

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In 12 of August of 2017 we did the second meeting of technoshamanism in Aarhus/ Denmark, here is the open call “Technoshamanism in Aarhus, Rethinking ancestrality and technology” (2017).

The first one was in november of 2014 with the name “technomagic and technoshamanism meeting in Aarhus“. It was made at the Open Space, a hacker space in Aarhus.

The second one was made at Dome of Visions,  a ecological geodesic located in the region of Port of Aarhus, supported by a group of eco-activists. The meeting was organized by Carsten Agger with  Ariane Stolfi, Fabiane M. Borges and Raisa Inocêncio. With the participation of: Amalia FonfaraRune Hjarno RasmussenWinnie Soon and Sebastian Tranekær. Here you can see the complete programme.

First, we did a radio discussion, after performance/ritual presentations, in the end a jam session of voice, noise with analogical and digital instruments, Smoking and clay bath.

AUDIO (by Finetanks): https://archive.org/details/II-tcnxmnsm-aarhus

PHOTOS (by Domo of Visions):

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VIDEOS (by tcnxmsnm):

Part 1:

Part 2:

 

“The venue was really beautiful and well-equipped, its staff was helpful
and people in the audience were friendly and interested. Everything went
completely smoothly and according to plan, and the final ritual was
wonderful with its combination of Arab flute, drumming, noise and visual
performance. All in all a wonderful event.” (Carsten Agger)

“I think it was really instructive and incredibly cool to be with people who have so much knowledge and passion about the subjects they are dealing with. Communication seems to be the focal point, and there was a great willingness to let people express their minds.” (Sebastian Tranekær)

“The meeting was very diverse, the afternoon with speeches and discussion of some topics linked to the network of technoshamanism, such as self-organization, decolonization of thought, then we discussed technology and future cyborg and at the end we talked about noise and feminism. Ritual open with the participation of other people and was very curious to see the engagement, – it was a rite of rock!! ” (Raisa Inocêncio)”

It was so nice to see Aarhus again, this dome of vision is really special place, thank you to all of you!! We did just one day of meeting and we could not listen everybody, but I am sure it is just the beginning!!! I agree with Raisa, it was a rite of rock-noise. (Fabiane M. Borges)

Ancestrofuturismo – Anti-sequestro dos sonhos e Tecnoxamanismo em Tarnac – Encontro de Scifi – Destrancando o futuro”!!

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Raisa Inocêncio e Fabiane M. Borges apresentaram o Tecnoxamanismo para Tarnac, num encontro de Ficção científica na comuna, chamado “Destrancando o Futuro”. O encontro não foi muito divulgado, mas no boca boca apareceu bastante gente. Alguns convidados para falar, outros se inscreveram para participar das oficinas, palestras, reuniões, mostra de filmes, uma semana inteira  dedicada a pensar o futuro do mundo, o antropoceno, a Queda do Céu. Pensadores como Viveiros de Castro, Philippe Descola, Davi Kopenawa, Donna Haraway, entre outros, foram super lidos e debatidos nas reuniões. Fizemos uma fala engraçada, mistura de português, espanhol, inglês, francês, muita mímica e fotos, para compartilhar conceitos como ancestrofuturismo, cosmogonia livre, ruidocracia, sequestro de futuro e sonhos pelo tecnoceno, necropolítica, resistências indígenas na cidade e no campo.

Houve outras participações como a do escritor francês de scifi e fantasia Alain Damasio, comitê invisível, entre outros.  Todos discutindo com interesse e preocupação a questão do futuro e da descolonização.

No final da nossa apresentação, fizemos uma pequena experiência de cosmogonia livre, e anti-sequestro dos sonhos baseadas nas oficinas de Alain Damasio, que durante a tarde gerenciou uma oficina de fabulação futurista contra o caos.

Tarnac é uma pequena vila no campo, no meio da frança, onde foi feita uma comuna de pessoas ligadas ao anarco-comunismo, cuidado da terra e projetos para o futuro. Alguns anos atras, membros de Tarnac foram acusados de terroristas por criarem uma sabotagem nas linhas de trem, o que causou a interrupção de mais de 130 linhas de trem. Foram presos, acusados, e terminou esse processo somente esse ano.

Durante a semana, praticamos o dispositivo de coleta dos sonhos em conversas intimas o que nos rendeu os mais intensos relatos e que no final do processo resultou num poema, de maneira singela e à pedido das pessoas anônima e coletiva.

Aqui umas fotos do ritual do it yourself que fizemos, chamamos essas duas horas de trabalho de: petite expérience !!

 

Poema ancestrofuturista

Sonhos destrancando o futuro 

Na casa tem uma infiltraçao, eu encontro minha mae, ela me mostra o caminho de areia.

Varios imoveis me traversam.

Eu ocupo uma escola.

Eu to na minha casa.

Nós estamos na nossa casa.

O amor de si e o amor de deus.

Eu estou com a minha mãe.
Eu encontro uma amiga que eu gosto muito, nós vemos as criaturas… Meus anjos sumérios, as criaturas de Guon ou o anjo Hieron ou Hieron que preve o fim do conflito

Jirad

Hada’ath sumério

Odin tyr tyr

O rei e o juiz

Os druidas

O diabo

 

Exu                                                                                                                           Deleuze

 

Triade frigga freyr

Cyborg biohacking ela fala ao Japão. 

Tristan e Izolda  à la zad (comuna proxima de Tarnac)

A figura que  eu amo, o vivo

O cometa que é gameta
Nós estamos em nossas casas

Nós somos os imóveis 

Nós somos os personagens ritmicos conceituais

Nós somos nosso territorio subjetivo

Nós estamos em nossas casas

Os muros pulverizam.

Ela vive na arvore e arvore ajuda à viver

As arvores sem as cabeças, as alguas envadem a cidade elas se transformam em imoveis

 

A louca dança nua sobre as ruinas do velho mundo
É necessário destrancar o futuro para que os ricos sejam mais pobres e os pobres sejam felizes.

O muro se pulveriza.

Os imóveis são arvores e as arvores sao os imóveis 

As arvores sao   os elevadores

A gente que morre e renasce nas arvores

Destrancando os corpos, os corpos misoginos

O poing se retira com o micro

O olhar misogino

Sonho 1:

No dia seguinte da eleiçao do Macron ele chega na minha casa e me diz: eu vou fazer as medidas e literalmente começa a medir minha casa.

Sonho 2:

Eu vejo uma menina parecendo que tinha sido estuprada, me aproximo para ajuda-la e no final ela tenta me enganar pra sua armadilha para me roubar, nessa tentativa eu consigo salvar um garoto que tava preso que ela conseguiu roubar… eu vejo meu companheiro chorar pela primeira vez.

Sonho 3:

Eu tava numa casa com muita gente, eu saio e do lado de fora tem um deserto, hà pessoas correndo e também uma prancha de surf

Sonho 4:

Os trocadores das grandes cidades sao transformados em arvores. E é maravilhoso, de grandes mostras de vegetaçao. E os homens que circulam sobre os trocadores e sobre as arvores.

Tradução do original:

Les rêves décloisonner l’avenir – poème ancêtre futuriste

La maison a une infiltration, je rencontre ma mère, elle me montre un chemin de sable.

Plusieurs immeubles me traversent

J’occupe une école.

Je suis chez moi.

Nous sommes chez nous.

L’amour de soi et l’amour de dieu

Je suis avec ma mère.

Je rencontre une copine que j’aime bien, nous verrons les créatures … Mes anges soumariens, les créatures de guon ou l’ange hieron ou hieron qui prévoit la fin du conflit

Jirad

Hada’ath sumarien

Odin tyr tyr

Le roi et le juge

Les druides

Le diable

 

Exu                                                                                                       Deleuze

 

Driade frigga freyr

Cyborg biohacking elle parle au japon

Trystan et Isolda a la zad

 

La figure qui j’aime le vivant

Comète qui est gamète

Nous sommes chez nous

Nous sommes les immeubles

Nous sommes les personnages rythmiques conceptuels

Nous sommes notre territoire subjective

Nous sommes chez nous

Les murs s’effritent 

Elle vit dans l’arbre  et l’arbre l’aide à vivre

Les arbres sans les têtes, des algues envahissent la ville ils deviennent immeubles

La foule danse nue sur les ruines de vieux monde

Il faut décloisonner l’avenir pour que les riches soient plus pauvres et que les pauvres soient HEUREUX.

 

Le mur s’effrite.

Les immeubles sont des arbres et les arbres sont des immeubles.

Les arbres sont des ascenseurs

Les gens meurent et renaissent dans les arbres.

Décloisonnant les corps, les corps misogynes

Le poing se levait avec le micro

Le regard misogyne

rêve 1:

Au lendemain de l’élection Macron arrive chez moi et lui dit: je vais prendre les mesures – et littéralement il commence à mesurer ma maison.

rêve 2:

Je vois une fille apparement violée, je me suis approché pour l’aider et à la fin elle essayée me tromper pour me voler, je sauve un mec qui elle a réussi voler… Je vois mon copain pleurer pour la première fois.

rêve 3:

J’étais dans une maison avec des gens, je sors et au dehors est un désert, il y a des gens que cours et il y à aussi une prancha de surf

rêve 4:

Les échangeurs dans les grandes villes sont transformés en forêts. Et s’est magnifique, de grandes courbes de végétation. Et des hommes qui circulent sur des échangeurs et sous les arbres.

Pornoklastia e Tcxnxmsnm – Inventando diálogos

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-Inventando Diálogos

Por Sue Nhamandu

Curandeirimso e práticas de liberdade

 

1§Durante o processo de invasão colonial instalou-se a morte, cerca de 90% das populações nativas da América foi dizimada, setenta e cinco milhões de mortos, um verdadeiro holocausto. Ao longo do século XVII a população europeia passa por uma redução, apenas menor que a peste negra, atingindo seu cume na Alemanha. Em comum essas mortes têm a classe social dos mortos: pobres. Mas não se tratava apenas da morte desses pobres, mas também de sua recusa em permanecer reproduzindo.

 

2§ A recuperação da taxa de natalidade na Europa no século XVI está vinculada com as políticas pró-natalidade, e demonização da contracepção contra a baixa da natalidade que ameaçava o recém nascido capitalismo. Políticas populacionais e biopoder. É inefável a violência com que eram tratados os comportamentos que não se adequassem a meta do crescimento populacional. As questões de paternidade e a privatização da propriedade aumentam o poder do macho no cerceamento e desapropriação do corpo feminino em nome da moral do patriarca, se somando as políticas públicas. Não podemos tratar com coincidência a matança de mulheres, a criminalização das formas contraceptivas , e a centralização da vida nos domínios do trabalho  no âmbito econômico. A riqueza de uma nação dependia do seu índice populacional.

 

 

 

3§ Centenas de mulheres morreram ao longo de dois séculos e meio durante a Renascença. Um holocausto. Extermínio de mulheres com acusação massiva de que essas mulheres pobres eram inimigas da humanidade. A documentação referente a caça de bruxas nos coloca diante de acusações fantástica e silenciamento de padres, motivada por políticos insanos. Em pleno avanço do capitalismo, causador desses feminicídios. A caça de bruxas é definitiva para formação da sociedade moderna capitalista. Pela destruição de práticas sociais, e formas de vida, enfim subjetividades, cuja existência era um obstáculo ao desarrolho capitalista. A caça a bruxas significa destruir relações e práticas incompatíveis ao capitalismo. A  força de trabalho proletário nasce da expulsão dos campesinos de suas terras, e da expropriação por parte do estado do corpo das mulheres, para transformar o útero num aparelho de criação de força de trabalho. A moralização limita o acesso da mulher a sexualidade ao ato de reproduzir. Para evitar obstáculos da autoridade do homem sobre as mulheres. A caça de bruxas garantiu de uma vez por todas a submissão da mulher ao homem, elas que são mais suscetíveis ao diabo, devem ser controladas pelo homem dentro da família e da sociedade. A  bruxa era a terrorista.

 

 

 

4§O capitalismo deslegitima o trabalho que não recebe salário. Essa concepção do que é trabalho não havia sido tocada por Marx, e implica em proposições políticas muito novas. Porque quanto trabalho escravo estava invisibilizado, sobretudo, nos domínios dos signos do feminino. A desvalorização do trabalho feminino está estreitamente vinculado com a  desprestígio do trabalho reprodutivo. A mulher é a primeira classe social: a reprodutora. Silvia Federici nota que a partir da análise das relações das mulheres estão muito vinculadas com o racismo, e com a escravatura indígena. . Nesse contexto o racismo e o sexismo estreitamente ligados, são pilares históricos estruturais  para garantir o trabalho não pago, a desvirtuação que o capital opera da desligitimação dos trabalhos.

 

 

 

Ancestrofuturismo e o resgate do curandeirismo

 

1§Foucault na históra da sexualidade III, o cuidado de si, está investigando Artemidoro, um leitor dos sonhos do mundo Grego. A leitura onírica da pornoklastia, é uma terapia-soteriodes não-falocêntrica, não-heterocentrada( a negativa opera com função de não legitimar o Mesmo afirmando seu outro, ou seja, dizer vaginocentrada invisibilizaria o problema seríssimo do domínio da linguagem pelo universal Mesmo).

 

2§ Muitas das formas de vida dizimadas para garantir essa arquitetura social, eram mulheres curandeiras, que cuidavam dos pobres.  A fome é uma realidade , muitas brujas eram acusadas de comer na madrugada os animais dos vizinhos mais ricos. Essa construção da noção de que a mulher é invejosa, expropriadora,  alimenta o medo dos pobres que nova classe sente. As brujas eram mulheres pobres que se recusaram ser invisíveis e morrer de fome. Essas mulheres que cuidavam dos pobres eram um pouco doutoras tinham poder  social. Este ser de conhecimento não cabe no capitalismo ,sobretudo, depois do surgimento da autoridade médica,  curandeira é poderosa, e por isso deve ser perseguida, eliminando essa forma ancestral de ciência e sua subjetividade poderosa incompatível com o capitalismo.

 

3§ A mulher medieval possuía mais controle sobre seu trabalho de parto e métodos contraceptivos que a mulher contemporânea exerce em muitos países. O movimento da escuta dessas matriarcas hoje, de catalogação de seus conhecimentos, é uma prática política de resistência, um braço do feminismo potente, que une a luta da mulher com a luta dos povos que hoje sofrem com o genocídio, os indígenas brasileiros. Uma ação que ao mesmo tempo valoriza  trabalho dessas parteiras, e coloca o lugar do parto de volta nas mãos da mulher parturiente.

 

 

Experimentação criativa de novas tecnologias dos prazeres

 

1§ A sexualidade não é uma revelação uma verdade profunda sobre o sujeito. Na realidade é uma ficção política. A sexualidade é sobretudo experimentação. o Uso estratégico,  recreativo e criativo do prazer está vinculado com os desejos. O uso reflexivo dos prazeres nos levam a desejos inusitados que não são aprioristicamente imaginados. O uso comunitário da vida, a criação de afinidades emergem da experimentação dos prazeres. Um território a explorar criativamente. Prazeres da alimentação, bebidas, uso de drogas e do sexo. Como agenciar nossas potências pelos prazeres, não apenas o sexual mas todas as citadas esferas. Não se trata de descobrir desejos, mas de construí-los. Não é freudiana a equação, é esquizoanalítica, não é descobrir mas inventar, construir.  

 

2§ Mas e a mulher? Enquanto a máquina política  de caçar bruxas é responsável pela construção de uma nova imagem da mulher, em âmbito social no capitalismo. A construção de uma escrava da procriação , que se tentasse um aborto com uma curandeira seria denunciada por vizinhos e familiares e morta, isso do início do séc XVI até o fim do XVIII. Um processo exemplar e emblemático de como construir uma nova identidade do feminino no capitalismo, a mulher da Idade Média ainda  é combativa, e coopera em vida coletiva com outras mulheres, a mulher pós fogueira, é passiva, e sobretudo assexuada , a bruxa é a mulher erotizada. Essa máquina de persecução é exportada ao México e Zonas Andinas, onde também homens são acusados de bruxaria, servidores do diabo, que serve para romper a resistência do índio em entregar aos colonizadores as riquezas que eles acreditavam esconder. Um vínculo claro entre a caça de bruxas e o genocídio indígena. As mulheres são em práticas sociais as mais resistentes aos processos de colonização.

 

3§ Construção de desejo é uma ética-arte de viver. Toda sexualidade acaba sendo normatizada no heterocapitalismo, que assimilam e fagocitam. Descobrir a própria identidade nos faz incrementar as potências. Ao abandonarmos a noção jurídica de poder, concebemos o poder produtivo. O poder produz reprimindo. A liberdade não é o sujeito que se coloca dissidente ao poder. Porque a própria concepção de sujeito já está fagocitada. O poder controla atos mais sutis, elementos do corpo social nos domínios da subjetividade, para melhorar o rendimento e submeter a conduta. A biopolítica controla a morte , e  sufoca a vida. O próprio conceito de sujeito sexual é uma invenção normatizadora, para garantir as funções reprodutivas do sexo, num modelo edipizante.

 

3§ A heterossexualidade compulsória, como regime político totalitário que impede qualquer outra forma de relacionamento, Um regime colonialista que opera como uma língua majoritária. O outro é sempre o analisado, a mulher o gay, a lésbica, a afrodescendência. Não existe a necessidade de existir por exemplo um dia do orgulho hetero, dado que o sistema político já não apenas se garante como de forma violenta impede a legitimação das demais existência, a não ser no contexto normativo e heterocentrado, onde toda leitura do mundo é totalizante. Não podemos construir nossas próprias categorias, pois estamos amarrados ao binarismo já no germem da linguagem. A mulher é o outro diferente. A mulher não é dado biológico, mas uma categoria política que só faz sentido quando temos a heterossexualudade, a monogamia como real, e inquestionável. Ou seja a heterossexualidade sustenta as categorias homem e mulher e a categoria homem mulher sustentam a heterossexualidade, fora deste contexto epistemológico, nada disso faz o menor sentido.

 

4§ Essa equação é responsável pela genitalização da sexualidade. E sua redução aos 15 minutos de felação penetrante que antecipam o orgasmo do macho(quando dura 15 minutos) e que fazem da heterossexualidade não só totalizante, mas profundamente chata, diante de toda gama do erótico a ser explorada. Ou seja os piores problemas do capitalismo não estão na organização econômica, mas na dominação das formas de comportamento. E o útero feminino é um território político controlado pelo macho. Na Alemanha protestante uma parturiente podia apanhar por não ter feito força o suficiente ou mostrado suficiente entusiasmo durante o trabalho de parto, tamanho o alcance das micropolíticas pró-natalidade no corpo da mulher. A heterossexualidade é um regime político, que controla nossas relações. A a heterossexualidade que diz que você precisa ser da família de uma pessoa pra ser o acompanhante dela no hospital, hospital mesmo esse que afasta as mulheres em trabalho de parto de seus companheiros para feri-la violentando-a afim de provar pra ela nas éticas do patriarcado como o sexo é ruim.

 

Se exploramos os prazeres de forma criativa e reflexiva praticamos a liberdade

 

 

Sobre o Encontro de Tecnoxamanismo no Estúdio Lâmina!!

Chamada: https://wordpress.com/post/tecnoxamanismo.wordpress.com/1817

 

Plataforma permanente (com nome provisório) para colaboracao com os Guarani Mbya do Pico do Jaraguá Sao Paulo – http://jurua.provisorio.ws/

 

Áudio da rádio debate com Thiago Pimentel (Cryptorave), Lívia ascava (Ônibus Hacker), Gianni Puzzo (Anthares Multimeios), Pedro Parrachia (desenvolvedor da plataforma colaborativa) e Ara Mirin (aldeia Tekoa Pyau) com mediacao de rafael Frazao (Terra Ronca).

https://archive.org/details/AudioEncontroTecnoxamanismoEstudioLminaSaoPaulo

 

Relato de Sue Nhamandu:

https://tecnoxamanismo.wordpress.com/2017/06/17/hamadriade-sucubo-encontro-de-tcnxmnsm-_sp/

Vídeo Pílula sobre o encontro – abrindo com o grupo de rap Oz Guarani, rádio debate, Macumba Hacker (Guilherme Pinkalsky), Ziyou (Jovem Palerosi), Parada (Rogério Borovik), Trany(y) Plantx (performance com sue Nhamandu, Guima San, Marci Marci), Vídeo Mapping (Rafael frazao) e Lab Luz (Paulinho Fluxus)

 

Vídeo – Trecho da Intervencao Guarani Mbya no Pátio do Colégio (Centro de Sao Paulo):

 

 

Fotos:

Hamadríade Súcubo- Encontro de TCNXMNSM _SP

Meta-performance Sue Nhamandu Guima San eletrofitologia Milze Kali perfuração Paloma Klisys Projeçõe raizes urbanas Fluxs Paulinho laz3r_ e atmosfera luminosa

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Tranz_3xpecyfy(cydades) e hiperflu(xos) _ídos

 

Por Sue Nhamandu

 

Meta-performance: Guima San eletrofitologia, Milze Kali perfuração Paloma Klisys Projeções raizes urbanas Fluxos Paulinho laz3r_ e atmosfera luminosa, Proposição e Corpo Sue Nhamandu.

Foto: Rafael Frazão

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“ como prodígios de beleza , poetizando sobre a maneira como as plantas atraem os insetos a se insinuarem por seus órgãos genitais para beber o néctar oculto e assim deixar no estigma   de suas pétalas o pólen fecundante trazido das anteras de alguma flor distante” Tompkins e Bird A vida secreta das plantas

 

Meu CID  é transtorno de identidade de espécie, a traz_especificidade é o que há de libertário na transgenética. Mas a plantinha é uma performer?Existe espécie mais tech que as plantas?Quem vai querer o copyright do meu corpo, ainda não nasceu. Quando penso em Marcel Vogel, nas telas de cristais líquidos, fica ainda mais indissociável a característica ancestral, e futurística das plantas com sua internet de fungos na terra. Tompkins narra em  A vida secreta das plantas um instante decisivo no curso de Vogel na IBM sobre criatividade, quando um de seus alunos lhe entrega um artigo de Backster nomeado “ As plantas têm emoções?” a princípio reticente com a possibilidade de charlatanismo ele cede aos experimentos, e chega a conclusões similares entre elas  que as plantas reagem aflitas a atos de violência reais ou ameaças cometidos contra elas. Vogel fica particularmente excitado com a ideia de armazenar energia psíquica, ou até mesmo descobrir o momento exato registrável em que uma planta se comunica com um ser humano. “ a interação do filodendro e Vogel pareceu-lhe análoga á do encontro de amantes”

 

As plantas não só captam emoções como emanam forças energéticas que nos são benéficas e absorvem as que irradiamos se beneficiando. “ O sentimento de hostilidade , de negativismo, numa audiência, comenta Vogel, é umas das barreiras à comunicação efetiva(com as plantas)” Certa vez Vogel recebeu um grupo de psicólogos céticos e programadores de computador, o grupo conversa por mais de uma hora, sobre os assuntos mais variados sem obter resposta das plantas. “ Quando todos já estavam convencidos de que tudo não passava de tapeação, um deles sugeriu:  “ Que tal falarmos de sexo?” Para surpresa geral, a planta deu sinal de si e a ponta que traçava o gráfico começou oscilar ferozmente” (pág 43) Partindo dessa informação que a planta reage ao orgônio, ele sugere que os ritos de fertilidade sobre a semeadura provavelmente estimulavam mesmo  crescimento das plantas. A resposta psico-galvânica não existe apenas nas plantas, mas pessoas com poderes meditativos também possuem grande comunicação espectro eletromagnética.

 

Vogel acreditava que suas pesquisas com plantas podiam levar crianças a aprenderem amar. A infância é uma etapa imune a idéias pré-concebidas , Vogel queria desenvolver a percepção intensa das forças invisíveis nas crianças. Porque com elas e com pessoas em estado medidativo a comunicação com as plantas se dá de forma clara e evidente.

 

Nunca desejei ter um piercing. Embora faça performances de auto-mutilação com fogo a perfuração sempre me causou aflição, sobretudo, nos seios. Quando comecei estudar a pós-pornografia em uma performance da Diana Torres ouvi “ el dolor como terapia”, e percebi que essa característica era presente na minha existência. O texto do Foucault, na verdade a entrevista ética do cuidado de si onde a experimentação com a  sexualidade evidentemente aparece como uma forma de prática de liberdade; somado a possibilidade de praticar o pornoterrorismo, me despertaram o desejo de transmutar um aflição em gozo. O exercício auto proposto de transformar afetos, e experimentar com meu erotismo fizeram a sexualidade como manifestação da criação artística um território de radicalidade na minha existência.

 

Passei a me masturbar diariamente pra um vídeo de perfuração no seios que achei no youtube, fazia-o até gozar e ejacular. Embora no primeiro mês retraisse os músculos, aflitasse com a língua o som de “ffsss” e me arrepiasse os pêlos, no final de um mês eu ficava molhada só de ligar o video, e no fim de 4 meses a ideia de gozar com a perfuração já me era possível. Embora tenha temido não conseguir até o instante exato do ato.E dado a consciência real da dor, hoje acredito ser necessário repetir a preparação para tornar a repetição da proposição da meta-performance possível em um segundo fenômeno performático.

 

A persona que o cavalo-corpo recebe pra viver o estado performático, é a Dríade Súcubo, uma mistura de entidades de mitologias distintas num movimento tcnxmniko de  cosmogonia livre. A entidade demoníaca feminina que invade os sonhos dos homens roubar seu esperma e sua energia vital( uma lenda medieval, que facilitaria a queima de bruxas na renascença) e que nomeia a morfologia botânica na parte específica do talo em que as folhas se encontram, nas hepáticas folhosas; e da entidade ninfa da mitologia grega, que habita os bosques que nasce e morre com a árvore a qual está conectada.

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foto Guima San

Acho conveniente ressaltar que a caça às bruxas é um período político feminicida que foi necessário para a instauração do heterocapitalismo através da matança de mulheres muitas  curandeiras, e ou matriarcas , e parteiras. Com finalidade clara de extinguir tecnologias rituais e de relacionamento. Além de garantir a medicalização dos partos e poder aos médicos. Bem como a categorização da mulher como a primeira classe social, a classe reprodutora que vai, gerar e criar os filhos de um único pater, bem como gerenciar todos os afazeres domésticos de forma gratuita e invisível, servindo de prêmio de consolação por tanto a operário que terá sua mais valia afanada na indústria. O controle patriarcal heterocapitalista é o controle da natureza e da mulher.

 

O Queer como sabemos é um termo originalmente ofensivo, que performativou, e hoje inclui uma infinidade de culturas do universo LGBTTI. Neste contexto se encontram a drag tranimal Hamadríade Súcubo, se insere com tonalidades surrealistas no ambiente queer. Uma ficção de corpo expandido que dialoga com a realidade especulativa da nanotecnologia e a revolução que significa a trans-especificidade no transhumanismo pra discussão tão batida das binaridades de gênero.

 

O conceito de indivíduo é mays  uma  das ficções nas quais nos inserimos, e que às vezes chamamos arbitrariamente de realidade. Ou seja, a realidade é uma ficção dominante. Os processos de ressignificação linguísticas oferecem ferramentas de alianças de resistência. O sujeito é um modelo de subjetividade liberal e marxista, de relações antagônicas entre produção e reprodução, um sujeito autônomo, progressista, heroico e militante. O oposto é o corpo radicalmente dependente, que só se constroi em relações. O sujeito é uma ficção liberal. Onde o corpo sujeito vulnerável ameaçado é sempre uma constituição relacional arquiteturada pra garantir a hegemonia do Mesmo apoiado pelas necropolíticas capitalistas.

 

10§ Nas culturas subalternas de resistência contra a dominação da normalização,  somos constituídos historicamente como experimentadores de tecnologias de produção de subjetividades. E  justamente por termos sido relegados às margens, temos que inventar outras técnicas de produção de subjetividades. Essas técnicas de produção de subjetividade são  muito importante pra saber agenciar os novos desafios de como construir a vida coletiva em nosso contexto econômico. Uma política transfeminista-hacker, que se opõe ao contexto geopolítico econômico tradicional que não se pergunta o que é identidade, mas como funciona? E como poderia funcionar de outro modo? Me interessa, portanto, conceituar a identidade como um código aberto do qual podemos nos apropriar coletivamente. E que não é uma identidade como essência ou arché, nem  como objetivo da ação política. Mas somente um dos códigos nos quais podemos intervir.

 

11§ A proposição meta-performática só foi possível graças  a  magia tecnológica da eletrofitologia do Guima San, e das tecnologia de perfuração da Milze Kali, e a estética favorecida pelo atmosfera luminosa do Paulinhos Fluxos, com frases lazer lascivas projetadas na cidade xanificando o falo do prédio do banespa. Um movimento sempre mágico são os encontros que rede do tcnxmnsm proporciona. Territótrios efémeros de alta produção cultural e troca de saberes. A plantinha escolhida pelo Guima tinha uma linda beringelinha, um enorme grelo, sua reações geravam luz e noise respondendo a ressonância mórfica psíquica de todos os presentes. São comunicações sensíveis por outras linguagens criando uma sinfonia afetiva, de um novo erotismo por construir.

 

“ A verdadeira matriz da vida humana é o relvado de que se veste a Mãe Terra.”

Technoshamanism and Wasted Ontologies

em rede

Interview with Fabiane M. Borges published on May 21, 20171

By Bia Martins and Reynaldo Carvalho Translated by Carsten Agger

Pdf download here: tecnoshamanism and wasted ontologies – interview

In a state of permanent warfare and fierce disputes over visions of the future, technoshamanism emerges as a resistance and as an endeavour to influence contemporary thinking, technological production, scientific questions, and everyday practices. This is how the Brazilian Ph.D. in clinical psychology, researcher and essayist Fabiane M. Borges presents this international network of collaboration which unites academics, activists, indigenous people and many more people who are interested in a search for ideas and practices which go beyond the instrumental logic of capital. In this interview with Em Rede, she elaborates her reflections on technoshamanism as platform for producing knowledge and indicates some of the experiences that were made in this context.

 

At first, technology and shamanism seem like contradictory notions or at least difficult to combine. The first refers to the instrumental rationalism that underlies an unstoppable developmentalist project. The second makes you think of indigenous worldviews, healing rituals and altered states of consciousness. What is the result of this combination?

In a text that I wrote for the magazine Geni2 in 2015, I said this: that techno + shamanism has three quite evident meanings:

  1. The technology of shamanism (shamanism seen as a technology for the production of knowledge);

  2. The shamanism of technology (the pursuit of shamanic powers through the use of technology);

  3. The combination of these two fields of knowledge historically obstructed by the Church and later by science, especially in the transition from the Middle Ages to the Renaissance.

Each of these meanings unfolds into many others, but here is an attempt to discuss each one:

1) When we perceive shamanism not as tribal religions or as the beliefs of archaic people (as is still very common) but as a technology of knowledge production, we radically change the perception of its meaning. The studies of e.g. ayahuasca shows that intensified states of consciousness produces a kind of experience which reshapes the state of the body, broadening the spectrum of sensation, affection, and perception. These “plants of power” are probably that which brings us closest to the “magical thinking” of native communities and consequently to the shamanic consciousness e– that is, to that alternative ontology, as Eduardo Viveiros de Castro alerts us when he refers to the Amerindian ontology in his book Cannibal Metaphysics3, or Davi Kopenawa with his shamanic education with yakoana, as described in The Falling Sky4. It is obviously not only through plants of power that we can access this ontology, but they are a portal which draws us singularly near this way of seeing the world, life itself. Here, we should consider the hypotheses of Jeremy Narby in his The Cosmic Serpent: DNA and origins of knowledge where he explains that the indigenous knowledge of herbs, roots and medicine arises partly from dreams and from the effects of entheogens.

When I say that shamanism is a technology of knowledge production, it is because it has its own methods for constructing narratives, mythologies, medicine and healing as well as for collecting data and creating artifacts and modes of existence, among other things. So this is neither ancient history nor obsolete – it lives on, pervading our technological and mass media controlled societies and becoming gradually more appreciated, especially since the 1960s where ecological movements, contact with traditional communities and ways of life as well as with psychoactive substances all became popular, sometimes because of the struggles of these communities and sometimes because of an increased interest in mainstream society. A question arose: If we were to recuperate these wasted ontologies with the help of these surviving communities and of our own ruins of narratives and experiences, would we not be broadening the spectrum of technology itself to other issues and questions?

2) The shamanism of technology. It is said that such theories as parallel universes, string theory and quantum physics, among others, bring us closer to the shamanic ontology than to the theological/capitalist ontology which guides current technological production. But although this current technology is geared towards war, pervasive control and towards over-exploitation of human, terrestrial and extra-terrestrial resources, we still possess a speculative, curious and procedural technology which seeks to construct hypotheses and open interpretations which are not necessarily committed to the logic of capital (this is the meaning of the free software, DIY and open source movements in the late 20th and early 21st century).

We are very interested in this speculative technology, since in some ways it represents a link to the lost ancestral knowledge. This leads us directly to point 3) which is the conjunction of technology with shamanism. And here I am thinking of an archeology or anarcheology, since in the search for a historical connection between the two, many things may also be freely invented (hyperstition). As I have explained in other texts, such as the Seminal Thoughts for a Possible Technoshamanism or Ancestrofuturism – Free Cosmogony – Rituals DIY, there was a Catholic and after a Protestant theological effort against these ancestral knowledges, a historical inhibition that became more evident during the transition from the Middle Ages to the Renaissance with its inquisitions, bonfires, prisons, torture and demands for retraction. The technology which was originally a part of popular tradition and needs passed through a purification, a monotheist Christian refinement, and adhered to these precepts in order to survive.

In his book La comunidad de los espectros5, Fabián Ludueña Romandini discusses this link between science and Catholicism/protestantism, culminating in a science that was structurally oriented towards becoming God, hence its tendency to omnipresence, omnipotence and omniscience. Its link to capital is widely discussed by Silvia Federici in her book Caliban and the Witch6, who states that the massacre against witches, healers, sorcerers, heretics and all who did not conform to the precepts of the church was performed in order to clear the way for the introduction of industrial society and capitalism. So two things must be taken into account here: first, that there has been a violent decimation of ancestral knowledge throughout Europe and its colonial extensions and secondly, that the relationship between science/technology and the wasted ontologies was sundered in favor of a Christian theological metaphysics.

Faced with this, techno + shamanism is an articulation which tries to consider this historical trauma, these lost yet not annihilated leftovers, and to recover (and reinvent) points of connection between technology and wasted ontologies, which in our case we call shamanism since it represents something preceding the construction of the monotheisms and because it is more connected to the processes of planet Earth, at least according to the readings that interest us. But there are several other networks and groups that use similar terms and allow other readings such as techno + magic, cyber + spirituality, techno + animism and gnoise (gnosis + noise), among others, all talking about more or less the same issues.

The result of this mixture is improbable. It functions as a resistance, an awakening, an attempt to influence contemporary thinking, technological practices, scientific questions as well as everyday practices. These are tension vectors that drive a change in the modes of existence and of relation to the Earth and the Cosmos, applied to the point where people are currently, causing them to associate with other communities with similar aspirations or desiring to expand their knowledge. These changes are gradually taking shape, whether with clay or silicium technology. But the thing is crazy, the process is slow and the enemy is enormous. Given the current level of political contention that we are currently experiencing in Brazil, associations and partnerships with traditional communities, be they indigenous, afro-Brazilian, Roma, aboriginal or activist settlements (the MST7 and its mystique), seems to make perfect sense. It is a political renewal mixed with ancestorfuturist worldviews.

You’ve pointed out that conceptually technoshamanism functions as a utopian, dystopian and entropic network of collaboration. What does this mean in practice?

Fundamentally, we find ourselves in a state of constant war, a fierce dispute between different visions of the future, between social and political ontologies and between nature and technology. In this sense, technoshamanism manifests itself as yet another contemporary network which tries to analyze, position itself with respect to and intervene in this context. It is configured as a utopian network because it harbors visionary germs of liberty, autonomy, equality of gender, ethnicity, class and people and of balance between the environment and society that have hitherto characterized revolutionary movements. It is dystopian because at the same time it includes a nihilistic and depressive vision which sees no way out of capitalism, is disillusioned by neoliberalism and feels itself trapped by the project of total, global control launched by the world’s owners. It sees a nebulous future without freedom, with all of nature destroyed, more competition and poverty, privation and social oppression. And it is entropic because it inhabits this paradoxical set of forces and maintains an improbable noise – its perpetual noisecracy, its state of disorganization and insecurity is continuous and is constantly recombining itself. Its improbability is its dynamism. It is within this regime of utopia, dystopia and entropy that it promotes its ideas and practices, which are sometimes convergent and sometimes divergent.

In practice, this manifests itself in individual and collective projects, be they virtual or face-to-face and in the tendencies that are generated from these. Nobody is a network, people are in it from time to time according to necessities, desires, possibilities, etc.

This network’s meetings take place in different countries, mainly in South America and Europe. Can you give some examples of experiences and knowledge which were transferred between these territories?

Some examples: Tech people who come from the European countries to the tecnoshamanism festivals and return doing permaculture and uniting with groups in their own countries in order to create collective rituals very close to the indigenous ones or collective mobilization for construction, inspired by the indigenous mutirão. Installation of agroforestry in a basically extractivist indigenous territory organized by foreigners or non-indigenous Brazilians working together with indigenous people. The implementation of an intranet system (peer-to-peer network) within indigenous territory (Baobáxia). Confluence of various types of healing practices in healing tents created during encounters and festivals, ranging from indigenous to oriental practices, from afro-Brazilian to electronic rituals, from Buddhist meditation to the herb bath of Brazilian healers, all of this creating generative spontaneous states where knowledge is exchanged and is subsequently transferred to different places or countries. Indigenous and non-indigenous bioconstructor’s knowledge of adobe, converging in collective construction work in MST’s squatted lands (this project is for the next steps). Artistic media practices, performance, live cinema, projection, music, and so on, that are passed on to groups that know nothing about this. In the end, technoshamanism is an immersive and experiential platform for exchanging knowledge. All of this is very much derived from the experiences of other networks and movements such as tactical media, Digital Culture, homeless and landless (ACMSTC, Integração Sem Posse) movements, submediology, metareciclagem, LGBTQ, Bricolabs, and many others. In the technoshamanism book, published in 2016, there are several practices that can serve as a reference.

Technoshamanism arose from networks linked to collaborative movements such as Free Software and Do It Yourself with the same demands for freedom and autonomy in relation to science and technology. To what extent has it proposed new interventions or new kinds of production in these fields? Can you give an example?

First is important to say that these movements of free software and DIY have changed. They have been mixed up with the neoliberal program, whether we’re talking about corporate software or about the makers, even though both movements remain active and are still spaces of invention. In the encounters and festivals, we are going as far is possible, considers our precarious nature, lack of dedicated funding or support from economically stronger institutions, we rely mainly on the knowledge of the participants of the network, which come into action in the places. I also know of cases where the festivals inspired the formation of groups of people who returned to their cities and continued to do work related to technological issues, whether in the countryside, in computer technology, and in art as well. Technoshamanism serves to inspire and perhaps empower projects that already function, but which technoshamanism endorses and excites.

I think that a fairly representative example is the agroforest, the Baobáxia system and the web radio Aratu that we implemented with the Pataxó in the Pará village. It is an exhange and simultanously a resistance that points to the question of collaboration and autonomy, remembering that all the processes of this planet are interdependent and that autonomy is really a path, an ideal which only works pragmatically and to the extent that it’s possible to practice it. So we’re crawling in that direction. There are networks and processes much more advanced.

What we’d like to see is the Pataxó village Pará (home of the II International Festival of Technoshamanism), to take one example, with food autonomy and exuberant agroforests and wellsprings, with media and technological autonomy and very soon with autonomous energy. We’d like to see that not just for the Pataxó, but for all the groups in the network (at least). But that depends a lot on time, investment and financing, because these things may seem cheap, but they aren’t. We should remember that corporations, entrepreneurs and land-owners are concentrating their forces on these indigenous villages and encouraging projects that go totally against all of this, that is, applying pressure in order to take their land, incorporate them in the corporate productive system and turn them into low-paid workers, etc.

In May 2017 we met with the Terra Vista Settlement in Arataca (Bahia, Brazil). They invited the leaders of the Pataxó village to become part of the Web of Peoples8 which has this exact project of technological and alimentary autonomy and I see this as a kind of continuation of the proposals which were generated in community meetings in the Pará village during the preparations for the II International Festival of Technoshamanism. Everything depends on an insistent and frequent change in the more structural strata of desire. And when we understand that TV channels like the Globo network reach all these territories, we see the necessity of opening other channels of information and education.

Do you believe that insurgent knowledge and anti-hegemonic epistemologies should gradually take up more space in the universities or is it better for them to remain in the margin?

In a conversation with Joelson, leader of the MST in the Terra Vista settlement he gave the following hint, which was decisive for me: “Technoshamanism is neither the beginning nor the end, it is a medium.” His suggestion is that as a medium, technoshamanism possesses a space of articulation, which rather than answering questions of genesis and purpose functions as a space of interlocution, for making connections, uniting focal points, leveraging movements, expanding concepts and practices concerning itself and other movements – that is, it plays in the middle of the field and facilitates processes.

As yet another network in the “middle”, it negotiates sometimes within institutions and sometimes outside them, sometimes inside academia and sometimes outside it. Since it consists of people from the most diverse areas, it manifests itself in the day to day life of its members. Some work in academia, some in healing, others in a pizzeria. That is, the network is everywhere where its participants are. I particularly like it when we do the festivals autonomously, deciding what to do and how to do it with the people who invite us and we don’t have to do favors or do anything in return for the institutions. But this is not to say that it will always be like that. In fact, the expenses of those who organize the meetings are large and unsustainable. Sometimes the network will be more independent, sometimes more dependent. What it can’t do is stagnate because of the lack of possibilities. Crowdfunding has been an interesting way out, but it’s not enough. It’s necessary sometimes to form partnerships with organizations such as universities so the thing can continue moving in a more consistent and prolonged form, because it’s difficult to rely on people’s good will alone – projects stagnate because they lack the resources.

4Davi Kopenawa and Bruce Albert, The Falling Sky, Belknap Press (2013).

5 Fabián Ludueña, La comunidad de los espectros: Antropotecnia, Mino y Davila (2010).

6 Silvia Federici, Caliban and the Witch: Women, the Body and Primitive Accumulation. Brooklyn, NY: Autonomedia (2004). Available here: https://libcom.org/files/Caliban%20and%20the%20Witch.pdf

7MST, the “landless worker’s movement” is a social movement in Brazil that fights for workers’ access to land through demands for land reform and direct actions such as establishing settlements on occupied land.