saúde ancestrofuturista – ou o mutirão da cura

Nesse momento de grave retrocesso se intensificam as lutas indígenas, não só em relação às demarcações de Terras, mas também em relação a Saúde. Nos últimos meses houveram uma série de despejos e exonerações da secretaria de saúde indígena. Departamentos foram destruídos, decretos foram emitidos sem nenhuma participação dos movimentos indígenas, alterando completamente a estrutura de atendimento de saúde a esses povos. Isso vem se intensificando desde o término do programa dos Mais Médicos, e agora há um esvaziamento de atendimento também nas aldeias. 

Por isso convocamos essa intervenção, em nome da autonomia dos povos, de ajudar o povo da Aldeia Pará a criar uma casa de saúde que seja referencial e replicável, para ser produzida em outras aldeias da região, que sirva como espaço de atendimento ambulatorial de médicos e dentistas, mas que também sirva para promover as práticas da medicina indígena tradicional, com seus banhos, ervas, raízes, esfregações, cantos, horta, óleos, sonhos, entre outras coisas. 

O povo Pataxó foi um dos primeiros povos a enfrentar a colonização de frente, inventando táticas de sobrevivência que perduram até hoje, para surpresa de muita gente. O fato de manterem seus ritos, suas crenças, suas medicinas até hoje, é um sinal de esperança de que apesar de tudo, é possível que encontre formas de vida singular. Ainda mais quando percebemos que seus ritos tem funcionado também como fonte de memória para o resgate da sua língua (patxôhã). 

Ao tecnoxamanismo interessa articular essas camadas das tecnologias das máquinas com as tecnologias subjetivas, para propor novos modelos de existência, baseados na conjunção das cosmovisões ancestrais e das especulações futuristas avançadas. O momento político que vivemos no Brasil e no mundo exige que tenhamos a ousadia de conectar pontos desativados desse grande corpo social, acionando as memórias das nossas ancestralidades pré coloniais, ligando-as diretamente com utopias de futuro (mesmo que desativadas). É preciso que a gente se dê conta que ancestralidade é um campo de forças assim como o futuro, e não estão necessariamente numa linha linear do passado ao futuro, mas como inteligência gravitacional a ser acessada a qualquer momento e de qualquer parte. A efetiva ligação desses pontos cria portais de sentido interno. Cria sentido conceitual, subjetivo, político, poético, etc. 

A campanha para o Mutirão da saúde indígena Pataxó tem como função ligar pelo menos dois desses pontos, a medicina tradicional indígena com a medicinal ambulatorial de médicos e dentistas, criando no Brasil um modelo de casa de saúde, que já existe em outros lugares como na Patagônia ou Equador, onde temos as casas de saúde ambulatoriais, mas com tratamento tradicional indígena acoplado. Esse modelo poderá vir a ser reproduzido em outras aldeias e cidades indígenas (e não indígenas). 

A campanha pretende levantar fundos para fazer o mutirão da saúde indígena pataxó, a ser realizada entre 12 a 19 de outubro de 2019, na Aldeia Pará, caraíva, sul da bahia. O mutirão prevê a construção de duas casas acopladas, uma voltada para a medicina branca e outra para a medicina indígena, atuando juntas e concomitante.  

Ao tecnoxamanismo foi dada a incumbência de organizar essa campanha.

crowdfunding: https://catarse.me/mutirao_da_saude_pataxo_2019

Inscrição para participar do mutirão: https://forms.gle/5ZBnqyAaEdqB43XEA

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s