Relato THSF

Relato Raisa Inocêncio

No inicio do mês, nós (Raisa Inocêncio e Rafael Frazão) participamos  do THSF em Toulouse (França) com uma conferência “relâmpago”  no sábado, às 20:30.

Estava quente, 40 graus bem provavelmente. Mas nós estávamos lá, fiquei logo descalça e, finalmente, a conferência passou como seu nome propõe, passou num piscar de olho. Propusemos então contar um pouco sobre a rede, através de três pistas: i) história; ii) projetos; iii) conceituação, sendo assim trabalhar o que está em jogo, por assim dizer, mas também os entornos conceituais da rede.

No primeiro ponto, apontamos algumas informações, presentes em especial no Questionário do Tcnxmnsm (em inglês e português), sobre o nascimento da rede estar ligado ao contexto do governo Lula e os projetos “Pontos de cultura” tanto o software livre quanto o momento de encontro entre os ativistas hackers e as comunidades nativos, afroindigenes, ribeirinhos e quilombolas, o que demonstra segundo o Frazão que o que os hackers buscavam já estava há muito sendo desenvolvido nas comunidades : tecnologias sociais, de comuna ou de rede.

Nesse sentido passamos à falar dos projetos, Baobaxia, Quijeme Cultural, permacultura Pataxó e agrofloresta, como os atuais projetos que estamos desenvolvendo atualmente, do mutirão pára construção do posto de saúde pataxó e da manutençao do projeto de nascentes do rio, com agrofloresta e jardins medicinais.

Para finalizar a conceituação, para dizer rápido e breve e direto, falei sobre o ancestrofuturismo, de voltar às ancestralidades para pensar sobre o futuro, do qual se molda uma clínica social do futuro, para o cuidado e a cura, tendo assim a criação de cosmogonias livres; Frazao falou sobre ficção especulativa, rituais DIY e comunidade dos espectros.

Por isso, é importante notar que finalmente fazemos um sonho comum, pensando do trabalho em residências imersivas de Fabi Borges que nos ajudam a não sermos capturados nem nos sonhos nem no inconsciente pela mercantilização capitalista neoliberal.

Foi realmente uma experiência agradável – assim como o calor do verão e isso é massa – e ao mesmo tempo a alegria que vimos vendo os hackers felizes e com o mesmo espírito, eu diria mesmo conectado, com o vídeos e as imagens do festival e dos encontros, como se alguém pudesse estar na Bahia teletransportado.

No final li o manifesto espectral (1) e passei um caleidoscópio para experimentar um pequeno ritual tecnochamanista para visualizar a realidade em um olhar outro, frames ou espirais fractais.

Como eu digo no email de agradecimento aos participantes da conferência “a rede ainda está em construção, é por isso que queremos pedir-lhe toda e qualquer ajuda possível e, principalmente, sempre que quiserem escrever e fazer perguntas ou nos convidar para fazer parte de eventos, encontros ou rituais”<3.

Relato  Rafael Frazao.

A rede Tecnoxamanismo foi convidada para fazer uma apresentação relâmpago no 10º Toulouse Hacker Space Factory. A evocação central do evento foi o clássico cyberpunk Akira, escrito na década de 80 por Katsuhiro Otomo, a história se passa em 2019 e apresenta uma Tokyo futurista e pós-apocalíptica; uma mega-cidade alienante cheia de corrupção política, revoltas sociais, experimentos militares, poderes psíquicos e mutações tecno-orgânicas. Uma especulação provocadora do futuro, que manifesta bem o transe da dimensão social sob um regime ultra tecnocrático. Nada muito diferentes, no que diz respeito a distribuição do poder, da realidade contemporânea. O festival celebrou o submundo potente desse contexto de sci-fi, a autonomia, a marginalidade, a reapropriação e o lixo reinventado das comunidades pós-industriais, em um levante de apropriação crítica das tecnologias. O encontro aconteceu no galpão do mix arts e fez juz a estética cyberpunk, o ambiente parecia um mercado marginal no subterrâneo de marte, a la Total Recall, com uma programação de conferências e acontecimentos que orbitam a cultura hacker.

A Raíssa Inocêncio e eu (Rafael Frazão) fomos representando a rede tecnoxamanismo, com a vontade de pensar e provocar, diante dos cruzamentos que a rede vem fazendo com os povos indígenas no Brasil, o que as tecnologias ameríndias tem a ver com tudo isso. Enfiados num conteiner chamado Teta lab, absorvidos por um calor intenso e por ouvidos atentos e curiosos, falamos das proximidades da ética hacker com o devir índio, e de como com as tecnologias comunitárias, rituais e corpóreas, presentes nas cosmogonias ameríndias, entram em sintonia com as práticas de compartilhamento, de autonomia e reapropriação, que baseiam a cultura hacker e a lógica do software livre. Falamos principalmente das trocas que a rede tem feito com o povo Pataxó na Bahia e com os Guarani Mbya em São Paulo, sobre o personagem conceitual do xamã e o trânsito nas consciências, sobre os conceitos que a rede vem trabalhando, sobre resistência onírica, sobre ficção especulativa, mostramos nosso projeto de financiamento coletivo e lemos o manifesto espectral.

Depois disso fomos mergulhar nas conversas com figurxs singulares que habitam essa zona de invenção, enquanto duas supostas technodrúidas psicografávam o manifesto espectral em máquinas de escrever

(video).

Para não esquecer :

Campanha do Mutirão da Saúde Pataxó   https://www.catarse.me/mutirao_da_saude_pataxo_2019

Fotos do evento THSF (Photo Rafael Frazão e Kaléidoscope) : https://www.flickr.com/photos/144294648@N06/albums/72157708867461421

O Manifesto Spectral : https://tecnoxamanismo.wordpress.com/2019/02/18/manifesto-spectral/

E sobre o Baobaxia : https://ps.zoethical.org/t/baobaxia-the-road-of-baobabs/629

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