Tecnoxamanismo no La Chapelle (Toulouse, França)

54728034_1099781730208463_984434765128007680_nFoto Agata Mendes de Carvalho

 

Relato Tecnoxamanismo no La Chapelle

 

Dia 18 de março tivemos a presença da rede do Tecnoxamanismo em Toulouse, França, na ocasião do lançamento do comité Marielle Franco, de solidariedade brasileira.

De antemão, pensamos em convidar o TCNXMN à fazer uma presença para que efetivamente o evento não fosse estritamente um senso comum político no qual normalmente ocorre projeção, debate e jantar.

Nesse sentido de produção e descolonização dos saberes, é importante ressaltar a presença do ritual, do simbólico na luta estético-política, de cosmo-sensação, de criação de cosmogonias livres, de ancestrofuturismo e de combate efetivo à necropolítica.

Houve, então, “para abrir os trabalhos” a performance de Isabella Aurora – que durante uma hora cortou as laranjas servidas na sobremesa, tecendo um rito canibal metafísico de preparação e abertura  – e em seguida recitou o Manifesto Espectral tendo em vista um evento aberto ao público e a performance no jardim.

Isabella Aurora, artista que mora em Paris, abriu a noite tecendo em nota e em poesia a questão de como entrelaçamos palavras mágicas à uma ação política. Rito de abertura ou de presença, deixando signo ali. Sonhamos em ação, agimos em sonho.

 

Anti-captura / anti-sequestro dos sonhos. Anti-Narciso.

 

Depois tivemos projeção sobre os projetos a serem apoiados pelo comité, o primeiro, sobre Agrofloresta na Aldeia Pára (Sul da Bahia) e o segundo junto  à Universidade Popular do Movimento Sem Terra, no Recife.

Em seguida ao debate, fechamos o evento com um ritual realizado por três ativistas-artistas-latinoamericanas, Gabriela Acosta Bastidas, Ticiana Brandan e Carolina Mahechaquintero, dentre outras amigas ativistas que fizeram coro. Fazendo um círculo de sal grosso, acenderam velas e leram frases de mulheres assassinadas pelo poder político (ler ao final do texto). Rendendo a homenagem aos ancestrais e as lutas feministas sudakas.

Fechando a noite Rachel Cajazeiras e Rita Macedo tocaram as marchinhas de carnaval Anti-Bolsonaro pra deixar bem claro : aí aí aí Bolsonaro é o carai !

 

O evento rendeu homenagem :

 

Berta Caceres, Honduras (communauté Lenca), militante ecologista et feminista, assassinada  2 de março de 2016.

Dolores Cacuango, Equateur, feminista e militante  pelos direitos dos povos originários.

Olga Marina Vergara. 24 de setembro 2008. Membro do Ruta Pacífica de las Mujeres (RPM) movimientos feminista de la No violencia frente ao conflito armado. Visibiliza o impacto da guerra sobre a vida e corpo das mujeres.

Maritza Quiroz, liderança social membro da mesa de vítimas de Santa Marta, assassinada em San Isidro en la Sierra Nevada. (05 de janeiro de 2019)

Viviana Muñoz, psicóloga da Agencia para la Reincorporación y la Normalización (ARN). Seu corpo foi encontrado ao lado do líder social Jesús Ignacio Gómez em uma zona de bosque en una zona boscosa Minas Blancas, en Caquetá. (20 de dezembro de 2018)

Maria Magdalena Cruz Rojas, líder campesina que apoiou a substituição de cultivos ilícitos, assassinada em frente a seu esposo e filho em Mapiripán. (30 de março de, 2018)

Idalia Castillo Narváez, líder campesina da cidade de Rosas, Cauca. Militante de Junta de Acción Comunal y Activista en la Mesa Departamental de víctimas do conflicto armado. Foi encontrada com traços de tortura e violação sexual. 09 de marzo de 2017.

 

Ruth Alicia López Guisao, liderança de Direitos Humanos, proveniente de Dabeiba, Antioquia, sobreviviente de la Unión Patriótica (UP), foi assassinada a tiros em um bairro de Medellín. (02 de março de 2017)

Ana Mendieta, Artista cubana feminista.

Yolanda Oquelí, Guatemala, militante dos direitos humanos, membro da organisação FRENAM, atua na região de San José del Golfo (Guatemala).

Juana Raymundo, (25 ans)  Guatemala. Ela pertencia à comunidade Maya Ixil; foi enfermeira e coordenadora do CODECA na região de Nebaj Quiché. O CODECA é uma organização de defesa dos direitos dos camponeses e indígenas que lutam pelo direito à terra e o desenvolvimento rural de famílias originárias na Guatemala pela perspectiva da participação social. 28 de julho de 2018 seu corpo foi encontrado portando traços de tortura.

Juana Ramírez, Guatemala, Redde femmes ixiles outubro 2018. Foi parteira Maya Ixil, fez parte do conselho de administração da rede mulheres e Exílio. Lutou pelos direitos das mulheres e direitos humanos. Vítima de feminicídio.  21 setembro 2018.

 

E Marielle Franco, presente !

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