Presença Inter-Format Symposium on Rites and Terrabytes 2018

Presença Inter-Format Symposium on Rites and Terrabytes 2018

 

DJI_0056-drone-web.jpg

 

Chegamos em Nida no dia 19 de Junho, uma reserva natural linda, onde se encontra a Colônia da Academia de Arte de Vilnius (capital da Lituânia) que funciona como escola de Doutorado e também como colônia para estudantes de graduação da academia. Fomos lá para participar de uma conferência, o 8th Inter-Format Symposium, com a temática “Rites and Terabytes”, organizado pela inter-PAGAN network (inter and pan-disciplinary arts & grounded anthropocene network). O simpósio ocorreu nesta particular data pois é este o momento do Solstício de Verão, grande celebração nacional da tradição pagã na Lituânia, que faz parte dos países Bálticos da Europa Oriental, ditos os “últimos pagãos da Europa”.

 

O programa começou no dia seguinte, com apresentação dos participantes, e logo depois uma mesa redonda. Teve três falas, duas que nos interessaram particularmente, por Jurga Jununyte e  Audrius Beinorius. Nesse dia teve a Abertura no bosque ao lado da colônia com performance de uma banda folk chamada Obelija, aprendemos danças tradicionais e elas fizeram um ritual de início com cânticos; depois teve uma apresentação de noise uma gruo chamado SALA, onde eles foram extraídos sons da floresta.

Fomos conhecendo as pessoas aos poucos, eu estava procurando compreender a linha entre a programação aberta/fechada, que não era muito explicito posto que éramos as únicas que foram de ouvinte, basicamente. Mas nesse primeiro momento fomos nos apresentando de pessoa a pessoa, e um dos primeiros que falamos era Andrew Gryf Patterson, que já conhecia a rede, um curador escocês que mora na Dinamarca.

Dia 21- Segundo dia, primeira palestra sobre a curadoria da rede inter-pagã, e era fechada, a primeira que fomos foi sobre Etno-futurismo e produção cultural,  de Andres Kreuger , curador. Depois uma palestra sobre anjos e suas reflexões na cultura popular, de um estudante da Academia. A outra palestra foi muito interessante, do inglês Dougald Hine, autor, entre outros, do “The Dark Mountain Manifesto”. Neste dia teve uma instalação de Dovydas Korba, uma fonte com um pulso elétrico que ele descrevia como uma incubação numinosa. Pra fechar o dia, performance de Margorzata Zurada, “Feeding Celestial Bodies”, ritualzão tecnoshamanico. A Margorzata foi uma das que mais se interessou pelo Tecnoxamanismo quando, no último dia, fiz uma breve introdução sobre a rede, e disse já ter trabalhado em Aarhus, e se interessou por contato com as lideranças indígenas, no festival e na rede em geral. Nesse dia falamos com Jurij, um dos curadores, sobre uma potencial abertura para uma fala sobre a rede, ele disse que achava possiíel  mas para perguntarmos a Vytautas, curador principal.

508A0527.JPG
Feeding The Celestial Bodies, de M Zurada

Dia 23 – Foi nesse dia que falamos com o Vytautas sobre fazer a fala. Ele falou que tinha algumas pessoas também nessa stuação, que iria perguntar para seus colegas, e que domingo era uma dia com mais abertura na programação para isso. Nesse dia a primeira palestra foi do irlandês Gareth Kennedy, sobre “experimental material cultures in the west of ireland”. Uma pegada arqueologia+arte. A próxima palestra foi de Kevin Bartoli, artista-hacker francês, uma das mais a ver com o tecnoxamanismo, uma palestra performatica com uma leitura de cartas de tarô e combinando isso com o trabalho do coletivo que ele trabalha, chamado RYBN. Em seguida teve uma performance/ritual da destruição de computador e aproveitamento de suas partes, de Adrian Demleitner, suíço. Depois workshops fechados, e performance “Interdimensional Transmission”, duas meninas, uma descendo de um tecido e a outra cantando, depois do qual defumaram a galera. Na sala comunal então teve a transmissão dos preparativos para rituais na Látvia, país vizinho que também comemora o “Joninés”, a festa do Solstício de Verão,e o streaming veio da casa de uma familia que tem a tradição de promover esta celebração, mas a conexão estava fraca.

508A0658
K. bartoli

 

Então teve a performance de um americano-francês, Gwen-Aell Lynn, que estava em residencia na Colônia,  chamada “Fire is form”, que foi interessante, ele propôs alguns cheiros nativos de lá de Nida e sálvia e vídeos tanto dos Bálticos quanto de indígenas em manifestação nos EUA , deixando o público num espaço apertado juntos,e depois prosseguindo para a área externa, onde construiu uma fogueira e abriu uma roda de conversa. Ele começou puxando a pergunta “Vocês se sentem colonizados?” para todos, Kupalua, integrante da rede que foi comigo respondeu que sim, e depois outras pessoas responderam, o filósofo Audrius disse que se sente colonizado pela ocupação soviética, e Gwenn-Aell disse  que nao achava que era o mesmo, eles discordaram sobre a definição de colonização, a atmosfera ficou tensa, uma artista do simpósio perguntou a Gwen-Aell o que ele estava querendo das pessoas. A conversa começou um tanto solta, abstrata, e o pessoal reunido foi se fechando um pouco para o diálogo, alguns atritos se criaram, e então o escritor do Dougald sugeriu ficar em silêncio pelas vozes que não podiam ser ouvidas (vozes estas que já tinham sido postas dentro da conversa com idéia) Depois conversamos mais um pouco e partimos para os shows da noite. Teve show da banda de folk, e dois shows de noise, o último bem legal chamada Two Moonwalkers, de Robert Nizinsky e Pawel Romanczuk

 

Dia 24 – Sábado, nesse dia todos foram para o porto da vila, pra comemoração do solstício, Joninés, a noite mais longa do ano. Foi um festiva de porte médio, mas bem típico de cidade pequena, com palco, barracas, encenação de conto, grupos espontâneos de canto, feitura de coroa de flores. e uma intervenção de Erica Scourti, Grécia-UK, performance chamada “Lost to The Phosphorous”.  

 

Domingo dia 5 – Dia Final. Kupalua tinha partido e eu fiquei este último dia para fazer a fala. Preparei uma apresentaçãozinha, mostrando o site, questionário e fotos do festival, mas acabou que a conversa final foi na varanda, informal, e eles começaram traçando desde a parte mais recente  da programação, avaliando de trás para frente. Quando começaram a enveredar pelo assunto de abertura para pessoas que não estavam inscritas foi o momento que houve abertura para a minha fala. Falei da motivação que tive de vir pela similaridade dos temas, apresentei a rede, fazendo o paralelo ‘tecnologia do xamanismo e xamanismo da tecnologia”, quando começou a rede, com que redes compondo; e que estamos organizando o festival em aarhus em 2019, apresentei o tema Ancestrofuturismo, eles perguntaram o que se tratava, expliquei brevemente, e disse que somos uma rede aberta, deixando aberto para participação de quem se interessasse. Todos se interessaram bastante a saber mais e agradeceram por ter compartilhado, fiz uma mailing list com o email de todos.

 

Foi legal a abertura deles. E uma coisa que ficou clara pra mim era que essa rede era uma rede báltica-nórdica-escocesa, com indivíduos interessados no intercâmbio e outros não tanto. Perguntei sobre a rede para Andrew no dia anterior, como ele via seu desenrolar a partir de agora, e ele disse que nao sabe se vão continuar com o projeto ou não, posto que era um projeto curatorial de um ano.

 

Isabella Aurora

 

Fotos por Andrej Vasilenko

Site oficial da Colônia http://nidacolony.lt

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s