TCNXMNSM NA TEIA DOS POVOS

Fomos participar da 5ª Jornada de agroecologia da Bahia,  realizada pela – “Teia dos Povos” – composta por Comunidades Quilombolas, Comunidades Indígenas e Assentamentos do MST + mestres de tradição oral, campesinos(as), estudantes, pesquisadores, educadores, crianças, juventude do campo e urbana.

Esse vídeo abaixo mostra a 3ª Jornada.

Junto com a 5º jornada ocorreu a 9º Edição dos Jogos indígenas Pataxós também na Arena Boca da Barra, na Orla Norte de Porto Seguro. Foram convidados para essa edição outros povos indígenas como Tupinambá, Krenak, Fulni ô, Kayapó, entre outros.

Esse  vídeo abaixo é a chamada para o IX Jogos Pataxó

Os dois eventos compartilharam o mesmo espaço, mas devido a agenda cheia dos dois, foram mais raros os momentos de grande confluência. As pessoas porem, iam de um evento para o outro, e dentro da Teia dos Povos houve grande representação indígena, quilombola e Sem Terra que durante alguns momentos auges fizeram rituais coletivos, com canções em diversas línguas indígenas e quilombolas, com batuques variados e exaltação à Natureza!!

O QUE O TECNOXAMANISMO ESTAVA FAZENDO ALI?????

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(Pablo Vieira, Rodrigo Krull, Roger Borges, Fabi Borges, Vincezo)

Alguns de nós, que são aliados da rede de tecnoxamanismo como Pablo Vieira e Vinzezo estão engajados na produção da Teia dos Povos. Pablo Vieira como aluno da escola de Agroecologia Milton Santos do Assentamento Terra Vista – parte cabal da construção da Teia dos Povos e Vinze como participante da Rede Mocambos com o projeto Baobáxia, que também participa da base de organização da Teia dos Povos.

Mas vale questionar nosso papel no meio disso tudo enquanto rede de tecnoxamanismo. Se a maioria de nós que fazemos parte dessa rede não somos exatamente indígenas, quilombolas, do Movimento Sem Terra, nem fazemos o perfil de um movimento social político, qual nosso papel quando nos juntamos a encontros/movimentos como os da Teia dos Povos?

Talvez o perfil mais óbvio mas não totalitário da rede de tecnoxamanismo seja a de uma galera urbana, inconformada com o rumo do mundo, que se coaduna para reinventar códigos de convivência, trocar experiências e informações, promover novas ficções e utopias para o futuro, investir seu tempo/espaço para criação de novos rituais, onde a questão da tecnologia e das ancestralidades e seus futuros são pautas fundamentais, enquanto ensaia saídas dos grandes centros para zonas rurais e investe na criação de novas comunidades, mesmo que urbanas.

Seguindo esse ponto de vista é importante questionarmos nosso papel quando nos juntamos a esses encontros/movimentos/aldeias.

A discussão é longa e aberta a todo tipo de opinião. Mas aqui vai algumas ideias para acrescentar no caldo, lembrando que isso é um post de blog e não um texto analítico:

1- Aprendizagem (Aprender sobre resistência, ancestralidade, modos de vida comunitária, treinar humildade e respeito pelos povos tradicionais e pelas lutas históricas dos movimentos sociais, se contaminar com sua determinação, participar dos seus rituais, ouvir suas histórias, suas versões sobre a história oficial, se contaminar com suas ontologias diversas e seus paradigmas ligados à natureza).

2-  Convivência (Investir em experiências coletivas tanto em larga escala como nos festivais de tecnoxamanismo, como com pequenos grupos da rede em encontros de outros grupos, conviver com comunidades diferentes das nossas, crescer e fazer crescer politicamente, atualizar os debates, se conscientizar das emergências e urgências das diferentes lutas e comunidades, partilhar momentos, alimentação, trabalhos, escutar, falar, debater em convívio e não só em reunião, transladar do nosso próprio ponto de vista para participar da visão do outro.

3- Troca de conhecimento e Colaboração (construção de parceria, apoio, colaboração com as lutas, apresentar suas ideias, sua inteligência, colaborar para o fortalecimento dos movimentos, pedir apoio para a nossa rede, discutir pontos de vista, dar oficinas ou criar ambientes propícios para ensinar e aprender, colocar na roda seus conhecimentos, aprender o conhecimento do outro, desenvolver uma postura ética, equilibrada para essa troca, colaborar para que todos saiam de lá com um sentido mais amplo e com mais conhecimento, apresentar e receber críticas construtivas, deixar o seu legado e levar o legado do outro para sua própria rede.

Essas três ideias são mínimas e fundamentais e buscam uma ética coletiva, que nada tem a ver com apropriação cultural, ou com uso indevido do movimento “dos outros”, como atuais críticas nas redes sociais levam a crer. Se é verdade que estamos passando por crises climáticas, antropoceno e suas derivações, se estamos discutindo ecologia e alternativas para o império nefasto que nos faz frente, o mínimo que precisamos desenvolver é uma ética de relações entre redes e movimentos sociais, para pensar próximos passos em época de crise ambiental e política.

No decorrer desses três anos de existência a rede de tecnoxamanismo tem feito uma série de experiências em vários encontros nacionais e/ou internacionais, e precariamente, dentro das nossas condições, temos ampliado nossas perspectivas éticas, políticas assim como aumentado nossas conexões com outras localidades, redes e movimentos sociais. Esses encontros vão desde jam sessions de noise ou cinema de ficção ao vivo, até festivais em aldeias ou participação em encontros como na Teia dos Povos. O saldo disso é uma incrível relação de aprendizagem, convivência e trocas de conhecimento, que nos permitem desenvolver ideias mais profundas sobre a contemporaneidade em todas suas nuances ancestrofuturistas.

Nosso próximo plano é seguir um pouco a Teia dos Povos e conhecer en loco os quilombos, aldeias e assentamentos que a compõe. E isso é para hoje mesmo.

Viva a Teia dos Povos e todas as Teias similares!!

Fabiane M. Borges

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