IDEIAS PERIGOZAS – RELANÇAMENTO!!!

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O livro IDEIAS PERIGOZAS feito com a rede SUBMIDIALOGIA – conexão antecessora do TECNOXAMANISMO será relançado no II Encontro de Tecnoxamanismo no Rio de Janeiro dia 28/03/2017 na OCAS do Parque Lage!!! A partir das 16 horas!!!

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Introdução por Fabiane M. Borges e Adriano Belisário!!

Este livro é uma compilação de artigos, poesias, auto-críticas e outros textos surgidos a partir da quarta edição do festival Submidialogia, realizada em Belém (PA) no ano de 2009. Aqui, se encontrarão tanto textos acadêmicos, como “Letramento Midiático e Digital”, “A fronteira virtuosa”, “O Centro de Mídia Independente de Tefé” e “Natureza, arte e tecnologia: a mobilidade do audiovisual de bolso”, quanto poesias, como a “Subpoesia” ou o “Subpoema”.

Em 2009, tentava-se reunir e pôr em prática “ideias perigosas”, mote do festival subBelem e título também de um dos textos desta coletâ- nea. Reunindo pessoas do Brasil e do mundo ligadas ao movimento do software livre, cultura da colaboração e pesquisas de mídias undergrounds, os encontros do Submidialogia ocorrem anualmente desde 2005 e são prolongados no plano imaterial, porém concreto, da Internet, através de uma lista de discussões.

Os encontros são eventos festivos regados a arte, música, cultura local, onde as subjetividades se imiscuem num clima imersivo, onde o erotismo dos gestos e as performances corpóreas tem lugar para suas manifestações. Nos festivais e na lista, dinamizam-se forças pulsantes, projetos inconstantes e crises de representação. A linguagem hipertextual é tornada produção de inteligência coletiva, criando ideias em um lugar que não é mais o pensamento individual, mas conteúdos náufragos facilmente readaptados, reciclados e apropriados pela rede. Trata-se de uma nova cultura, como Pajé Resistor afirma em “Chamado Metaprotocooperativo Digitofágico”.

Abrindo o livro, “Poesia Espasmática Coletiva é um relato anônimo costurado por várias mãos. Nele, estão registrados desejos, fragmentos de diálogos, pichações em muros e pensamentos remixados que surgiram durante o encontro em Belém. “Dispositivo Experiência” reúne relatos e ponderações sobre uma das vivências do quarto festival. Já “Gnosc” traz uma narrativa mítica sobre estas novas origens de divíduos, órgãos sem corpos. Submidialogia é a construção de imaginários, troca de fazeres e conhecimentos: a subversão do logos. Espaço de expansão e contensão dos pensamentos constitutivos. Expansão porque o conhecimento não é tratado como sistema proprietário, mas aberto ao desenvolvimento coletivo. E contenção, devido às inúmeras impossibilidades de aplicação prática do conhecimento e a necessidade de concentrar saberes e poderes para execução de projetos e programas.

Dessa forma, presume-se um paradoxo entre a geração colaborativa do pensamento e suas aplicabilidades. Enquanto alguns tendem a estatizar ou credenciar como políticas públicas suas ações de bando, outros tendem a práticas mais anarquistas, independentes, e ainda outros vendem seus conhecimentos como produto de mercado. É nesse paradoxo que habitam desejos de mais eficiência, assim como de construção de métodos ágeis, de fácil aplicação e replicação, que muitas vezes sofrem danos e cooptações – auto-crítica presente nos artigos que se seguem, como em Anti-projeto, “Mendigos, Piratas e Videntes”, “O que vai viver e o que vai morrer” e “O Princípio da Inconexão”.

A oposição entre público e privado é ineficaz nessa rede. Em territórios móveis, urgem outros elementos, como a criação de espaços comuns e ambientes de afinidades que não se enquadram nem em um sistema de propriedade nem em um sistema público, aberto para utilização de toda e qualquer pessoa. Também se distancia de domínios restritivos como os das seitas, quadrilhas ou máfias, apesar de guardar elementos como ritos de passagem, respeito a lideranças insurgentes ou salvaguardadas pelo histórico do próprio processo.

Não se pode também esquecer as alianças produzidas por laços de amizade, projetos alavancados entre participantes e, como não poderia deixar de ser, envolvimentos sexuais e afetivos. Longe de ser um espaço de puro consenso e harmonia, caracteriza-se por um ambiente de afloramento de angústias e desejos. Movida por tensão e afetividade, a rede assume características autopoiéticas. Registrando sua existência em escritos, imagens e publicações como es- ta, ela volta o olhar a si mesma na absorção deste conteúdo de modo que o campo de ação e significação de seus pontos nodais são rearranjados continua e imprevisivelmente.

A importância da memória coletiva e reflexões sobre o trabalho de arquivo são exploradas em “A para Z: os desvios que ampliaram o arquivo”. Nos textos, há a ênfase na digitofagia e na ruptura com o modelo de mídias de massa. Não se deixa, no entanto, de observar as redes eletrô- nicas e novas tecnologias da informação com um olhar crítico. “Introdução à sociedade de controle” reflete sobre o futuro da liberdade na Internet, apontando os mecanismos de vigilância e cerceamento da privacidade como uma pedra no caminho para a utópica “aldeia global”.

Aqui, a mídia é encarada em um sentido amplo, como revela “Corpo-Mídia”. Abordagem presente também nos textos “O cotidiano é o mundo em resumo” e “Dicionário de ideias recebidas”. Nem só em eventos, nem na Internet, o Submidialogia busca no dia-a-dia o terreno para agenciamento das mudanças. Submidialogia é uma proposta aberta não para outros futuros, mas para outros presentes possíveis.

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